09/07/2026

Parar o ‘empresário mais nocivo do Rio’ é um dos caminhos para aumentar arrecadação, diz governador Couto sobre Ricardo Magro

Por: Rafael Galdo , Selma Schmidt e Vera Araújo
Fonte: O Globo
O governador interino do Rio, desembargador Ricardo Couto, afirmou em
entrevista exclusiva ao GLOBO, que Ricardo Magro, à frente do Grupo Refit —
dono da antiga Refinaria de Manguinhos—, é o "empresário mais nocivo" do
estado. Magro é considerado um dos maiores devedores de ICMS do Rio e São
Paulo e é alvo de prisão da Polícia Federal, que já colocou seu nome na Difusão
Vermelha da Interpol, a lista dos mais procurados do mundo.
— Eu tenho que "matar" o empresário mais nocivo do Rio, que todos nós
sabemos: Ricardo Magro. Ele não bota o pé no Brasil porque sabe que vai ser
preso — disse o governador interino.
Segundo Couto, o afastamento de Magro do setor teve um efeito direto sobre o
abastecimento de combustível no estado, hoje marcado, segundo ele, por
adulteração e sonegação.
— Ao tirar ele, o abastecimento com combustível limpo, não adulterado e sem
sonegação volta ao mercado fluminense — completou.
O secretário de Fazenda, Guilherme Mercês, presente à entrevista, citou um
aumento de 34% na arrecadação sobre o processamento de combustíveis no
último mês, após a deflagração da Operação Sem Refino, deflagrada pela Polícia
Federal contra a Refit, no dia 15 de maio.
O comentário sobre o empresário surgiu quando o governador interino explicava
sobre sua estratégia para gerar receita ao estado, dentro de uma meta de corte
de R$ 5 bilhões em despesas até o fim do ano.
— Então, eu tenho que botar uma meta de R$ 5 bilhões, e o secretário vai falar:
"é impossível". Isso é problema seu, não é meu. Corre atrás — brincou o
governador, em referência a Mercês.
Entre as medidas para equilibrar as contas do estado, Couto citou a adesão ao
Propag, programa federal de renegociação de dívidas com a União, além da
renegociação de empréstimos privados. Uma delas prevê o repasse desses
contratos ao Banco Mundial, com juros mais baixos.
— Aí veio a ideia do Banco Mundial, de fazer o repasse desses empréstimos para
o Banco Mundial com juros bem menores, que é o que a gente está fazendo —
afirmou.